quarta-feira, 11 de março de 2020

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Salvo raras exceções, a maioria das pessoas não percebe a evolução do meio em que vive e sua real posição em relação ao universo das coisas.
Persiste, entretanto, a eterna dúvida sobre a origem e destino de tudo que, devido às limitações de nossa mente, tendemos colocar num paradigma de começo, meio e fim, dentro de um espaço/tempo.
Até onde sabemos ou imaginamos, o universo teve início a partir da explosão de toda a matéria, até então comprimida, num fenômeno designado por “big bang”.
O processo criativo, através de bilhões de anos, manifesta-se, atualmente, numa forma de vida inteligente que participa da criação de forma nem sempre sensata.
Ao contrário de outras espécies de animais, o homem deve sua sobrevivência ao fato de ter desenvolvido uma sociedade colaborativa em que, por sua capacidade exploratória e investigativa, obteve sucesso com a participação de cada indivíduo em benefício comum.
 Nos primórdios da civilização, abandonando o nomadismo, estabeleceu-se próximo aos cursos de água que, como elemento vital, propiciou-lhe a elaboração do próprio alimento, tornando-o menos dependente dos caprichos da natureza.
Nesse ambiente protegido, dedicou-se a desenvolver, cada vez mais, uma mente criativa, baseada na observação e experimentação.
No decorrer do tempo, surgiram as grandes descobertas que tornaram vida humana mais prospera e agradável.
A mesma capacidade investigativa, porém, que lhe propiciava elementos físicos para sustentação da vida, instigava-o a buscar explicações para tudo o que acontecia ao seu redor, tranquilizando-o e suprindo sua necessidade de proteção contra a agressividade que gerava a diferença de potencial, necessária à evolução.
E foi nessa calda em ebulição que as culturas foram sendo delineadas por conflitos de interesses e conciliações amigáveis, numa relação interessante e interesseira.
Através de séculos, gerações de homens viram dinastias e reinados surgirem e desaparecerem, procurando equilibrar interesses, ostentar poder e riqueza, atravessar montanhas, florestas e desertos, cavalgar ondas, construindo caminhos e cidades.
A ambição levou-o a conquistas sem limites físicos e morais, por meio de artifícios que beiram a insanidade.
Essa ascensão  rápida e alucinada, proporcionada pela pirotecnia em que ele transformou a pequena fogueira das cavernas, levou-o a píncaros de onde pode vislumbrar um mundo animal do qual ele ainda é parte constituinte.
A tecnologia fez do homem a obra prima do processo criativo atual, sendo absolutamente imprescindível ele fazer reajustes na sua estrutura dentro do contexto universal.
É comprovadamente sabido que todo o universo conhecido, até onde a ciência conseguiu vislumbrar, destina-se a uma transformação em bilhões de anos. Por ser tão distante no tempo, não é por isso que não se deva olhar para esse lado.
Confortavelmente instalado em seu dia a dia, o homem reluta em fazer mudanças      radicais, mas sente que seu conforto, da forma como é conseguido, está baseado em normas que podem ditar sua sentença de morte.
Após ter experimentado, ao longo do tempo, várias formas de energia para desenvolver suas atividades, o homem adotou a energia decorrente da combustão como sendo a mais eficiente para trabalhos mais pesados.
É um tipo de energia que pode ser obtida em qualquer lugar que ele vá, desde que o homem transporte consigo o combustível e o oxigênio onde este não estiver disponível. Apresenta, entretanto, o inconveniente de gerar resíduos perigosamente poluentes, além de esgotar fontes não renováveis de combustíveis com baixo rendimento.
Com o aumento da população que, devido ao êxodo rural e mecanização das atividades agrícolas, passou a concentrar-se em grandes aglomerados urbanos, surgiu o fenômeno da poluição atmosférica e problemas decorrentes da alta densidade demográfica.
As autoridades sanitárias têm alertado constantemente para os riscos à saúde que é, ou deveria ser, a base sobre a qual se assenta toda atividade humana.
Paralelamente à energia proveniente da combustão, evoluiu a energia proporcionada pela indução eletromagnética ou energia elétrica.
Limpa e silenciosa, a energia elétrica é vista como alternativa energética, porém, com sérias restrições quanto à mobilidade humana, uma vez que ela tem que ser produzida, de maneira eficiente, em locais específicos, com potencial hidrelétrico, e conduzida a longas distâncias com sensíveis perdas, para a utilização.
Como forma de atender demandas, tem-se cogitado e experimentado a produção de energia elétrica como subproduto de energia térmica em termelétricas e energia nuclear, ambas com consideráveis desvantagens econômicas e de segurança.
Movido pela premente necessidade de mudanças, tem-se incentivado a inovação, na busca por novos modelos energéticos, tais como :  eólico, fotovoltaico e outros, voltados para produção de energia elétrica eficiente.
Para atender a demanda, cada vez maior, de uma frota de carros que o homem criou para seu conforto, o sonho do carro elétrico, aos poucos, vem se tornando realidade, embora, ainda acenando com dificuldades no tocante ao sistema de acumulação e produção de energia elétrica.
No que diz respeito ao atual modelo de assentamento humano, estamos assistindo a um lamentável desastre ecológico, com cidades superpovoadas de unidades habitacionais, fabricas e estabelecimentos comerciais e de serviços insalubres e geradores de dejetos poluentes e perigosos, a serviço de um consumismo absurdo para movimentar economias corruptas e corruptoras que exploram uma população ignorante de seus verdadeiros valores e equivocada em seus objetivos.
A tecnologia voltada para a produção em massa, em uma ação ambivalente, acabou gerando conforto  ma, também, um desemprego angustiante e revoltante.
É com tristeza que vemos diante de nós um panorama de mazelas que, como um prenúncio, certamente, nos motivarão para mudanças, já que o homem é um ser regenerativo.
Ao que tudo indica, parece que estamos às vésperas de grandes transformações sociais, como consequência de mudanças estruturais. É como se uma ampulheta estivesse sendo virada para um recomeço de tudo. O modelo energético mais viável para a sociedade humana, nesta fase de desenvolvimento, ainda é baseado no aproveitamento racional da força gravitacional exercida pelo planeta sobre os corpos de água que descem dos continentes para os oceanos e mares.
A partir daí pode-se construir um modelo energético elétrico com capacidade de propiciar uma modificação no modelo de assentamento humano, dando ênfase ao verticalismo das edificações, com espaçamento maior entre elas, seguindo as linhas de produção de energia, que será produzida e consumida no mesmo local, sem a necessidade de transportá-la a grandes distâncias.
Prosseguindo com estes pensamentos um tanto visionários, o homem poderá se dar ao luxo de construir edificações herméticas, tanto para si como para grande parte dos componentes de sua alimentação totalmente climatizadas.  
Com abundância de energia, a produção de tudo na terra e seu transporte se tornarão muito mais baratos, desafogando as economias e incentivando a indústria e comércio, com a consequente geração de empregos.
O foco de todo processo criativo é, indubitavelmente, o homem que, como todo animal, tem como fonte de sua energia vital, um processo de biodigestão.  É a utilização de sua energia, entretanto, que o faz diferente, quando utiliza uma mente privilegiada pela evolução, em atividades cada vez mais intelectuais e criativas.
É a saúde e educação física e mental dessa criatura que a mantém na vanguarda de todo o processo criativo e evolutivo da existência. Interagir intensamente com o ambiente é necessário, para que possa, cada vez mais, governar que ser governado. Acumular os benefícios do fruto de seu trabalho e delegar a sua administração , sem o conhecimento de sua aplicação, resultará em uma alienação submissa e ignorante, criando classes conflitantes e desorientadas.
Conflitos sempre existiram e existirão como parte integrante de um processo dialético de evolução. A situação de risco se manifesta, entretanto, quando o fenômeno se processa por instintos incontroláveis e nocivos.
A história nos mostra que povos se tornavam mais orgulhosos, arrogantes e agressivos, na medida em que se tornavam mais prósperos e ricos. As vitórias pelas armas se tornaram privilégio de sociedades ricas, até que a ciência e a tecnologia descobriram, na natureza, radiações mortíferas. Atualmente pode-se inutilizar uma frota inteira de navios de guerra, sem quebrar, sequer, um parafuso deles. Tal tipo de atividade deve ser  banida, definitivamente, da mente humana.
E assim, como sugere o nome deste artigo, o homem deve, com toda sua capacidade e vontade, orientar-se para um futuro cheio de novos conhecimentos benéficos e sepultar, para sempre, as experiências malditas.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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